Você já auxiliou uma mãe solo?

Sempre trago reflexões aqui sobre a “multitarefa” e sobrecarga da maternidade sobre a mulher. Sobre como os dias parecem ser curtos, e como conseguir administrar toda a carga mental e todos os desafios da mulher moderna após a maternidade.

E quando essa mulher não tem qualquer parceiro (a) na criação e na responsabilidade de seu filho?

No Brasil são mais de 11 milhões de mães solo, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E mesmo assim quase não as vemos ou ouvimos falar. Um pai cuidar sozinho de um filho, pai do ano, mulher cuidar sozinha, estatística IBGE. Você com certeza conhece uma ou é uma mãe solo.

O que mais vemos é mulheres sobrecarregadas, abrindo mão de estudar, buscar um emprego melhor, viajar, passear, etc. pois estão sobrecarregadas e com a gigante responsabilidade de criarem – e muitas vezes sustentarem – sozinhas uma ou mais crianças.

Nossa sociedade tem o costume de pensar “quem pariu Mateus, que o balance”, mas podemos todos auxiliar uma amiga, uma prima ou uma colega de trabalho que cria seu filho sozinha. Ter empatia e se colocar no lugar do outro ajuda – e muito – a vida dessas mães ser um pouco mais leve. Entre o – “Você não queria ser mãe? Agora aguenta, faz parte”… e o “Ainda que você tenha planejado muito ser mãe, não deve estar sendo fácil, como posso te ajudar?” tem um caminho incrível do não julgamento e apoio honesto.

E como você pode ajudar? Ficar com a criança para ela ter um dia para colocar os estudos em dia ou para dar uma volta sem preocupação. Ou ainda terminar o relatório da empresa e permitir que ela saia mais cedo para buscar o filho doente na escola.

Como nossa sociedade olha para uma mulher que está num bar ou restaurante com amigas, e que teve seu bebê a poucos meses? Agora me responda, com sinceridade, como a nossa mesma sociedade olha para um “pai” ou “genitor” na mesma situação?

Se você pensou numa resposta diferente para cada situação, ATENÇÃO; Esta diferenciação pode estar incutida de machismo. (Excluo aqui justificativas como “ah, mas se ela amamenta, o bebê só dorme com a mãe”, etc). Considere tudo isto já resolvido: leite ordenhado, avó acolhedora para este breve momento. É sobre isto que estamos falando…

Conversando com uma “mãe solo” ela me disse, que uma das maiores dificuldades ao se tornar mãe solo, foi ser julgada como incapaz no gerenciamento de de todas as esferas de sua vida, desde socialmente, com afastamento de amigos, até profissionalmente, sofrendo diferença no tratamento entre colegas profissionais, como se deixasse de ter autonomia e profissionalismo nas suas relações de trabalho, projetos, e ações.


Sente que virou uma estatística sobre “O que não devemos ser e termos cuidado para jamais nos tornar: uma mãe solo”.
E eu aqui admirada por ver esta “mãe solo” explodir competências, e ter lançado projetos incríveis, dizendo viver a fase da vida mais criativa e de maior sensação de poder que já vivenciou.
Precisamos de uma sociedade mais acolhedora, menos julgadora, que não glorifique este lugar de desamparo social. Porque para” dar conta” paga-se um preço muito caro. Que não tenhamos medo de uma mulher que dá conta sozinha, porque é isto que nos amedronta. Mas sim, estendamos nossas mãos verdadeiramente.

Daniela Andretto