Perda gestacional. A dor de ter um bebê breve!

Perder um bebé durante a gestação, com alguns dias ou mesmo um filho depois do inicio da vida torna-se mais dolorido de acordo com o tempo de convivência entre eles? A resposta é não. A dor da perda de um feto, bebê ou criança (e aqui o nome “adequado” a ser usado depende da ótica das relações vinculares e de afeto) pode ser para algumas mães, a mais dura das perdas, para outras, não necessariamente. Uma perda gestacional, um óbito fetal. O processo de amor e dor na despedida é sempre muito individual.

A morte não está na sequência natural do processo de gestar, parir, nascer e crescer. A morte rasga esta evolução trazendo a realidade da quebra, da “não continuidade”, da perda da projeção, da perda construção de uma nova identidade. Futuros pais perdem seu projeto da paternidade e maternidade, vivem o luto por seus filhos, porém tambem vivem seu luto deste novo papel social, de quem seriam, de quem seu parceiro ou parceira se tornaria

Quando perde-se um bebê, é comum haver um desconforto emocional e social para aqueles que convivem com a familia enlutada. Cada perda mexe com nossos sentimentos de existência, de brevidade.

Quando uma mãe perde seu bebe ainda na barriga – seja com poucas ou muitas semanas de gestação – é comum ela ouvir que “Deus quis assim”, “que ainda bem que foi no comecinho” ou ainda “logo engravida de novo”. Esses mesmos comentários são ditos para as mães de bebês breves, ou seja, aqueles que viveram poucas semanas fora do útero. O bebê (independente de ter ou não sido planejado), existiu, planos foram feitos, e precisaram ser desfeitos.

Mas, esses comentários que tem o intuito de “ajudar e consolar” dilaceram essa mãe enlutada. A mulher que teve sua gestação breve ou perdeu seu bebê logo após o parto precisa de espaço e acolhimento para poder viver seu luto da sua forma e tempo possivel. Cabe à familia e amigos próximos, dar apoio para essa mãe (sim, ela é mãe independente de ter ou não seu bebê nos braços) e legitimar essa dor, assim como a de seu companheiro (a) que também o vive de forma similar, ou completamente diferente.

E entre estas duas realidades, da vida e da despedida, há uma travessia psiquica necessária de cuidado individualizado e delicado.

Pensado neste cuidado que foi criado o “Dia Internacional da Conscientização da Perda Gestacional ou do Recém-Nascido”, lembrado em 15 de outubro, que tem por objetivo sensibilizar e impulsionar a humanização dos serviços e atendimento às familias que tiveram perdas gestacionais ou neonatais,e principalmente acolhé las e orientá-las da forma mais respeitosa e adequada..

Então, se você conhece alguma mãe enlutada, seja escuta e esteja presente. E para você que passou por algumas destas situações de despedidas, e sente necessidade de acolher pensamentos e sentimentos acerca do seu luto, meu abraço.

Estou aqui se quiserem ser ouvidas…

Daniela Andretto