Pandemia e os rituais que foram perdidos

A pandemia já dura muito mais tempo do que esperávamos e do que podemos suportar. Mas, diante de tantas privações para todos, há um grupo que as viveu muito mais nesse periodo que estamos atravessando: as gestantes e as mães. A pandemia tirou vários planos que muitas mulheres tinham para a gestação, o parto e, principalmente, o puerperio.

Muitas foram – e estão sendo-privadas de uma rede de apoio idealizada. Deixaram de ter ao seu lado os avós, as amigas e outros tipos de suporte. Mas, embora pareça algo não tão grave quanto tantas mortes e tantas incertezas, muitas mulheres se sentem tristes, frustradas pois não tiveram rituais como sonhavam, como ensaio de gestante simbolizando o começo da despedida da barriga, chá de bebê com a presença de pessoas de afeto, visitas na maternidade, etc. Rituais são simbólicos, são ritos de passagem, de reconhecimentos pessoais e sociais que contribuem para a elaboração das mudanças emocionais e de papéis que estamos passando. São várias privações, muitas delas que passam despercebidas para quem está de fora, mas tocam fundo na alma de quem está vivenciando e atravessando um período tão novo, tão desafiador e tão transformador como o puerperio.

Nesse período aumentou muito a procura de mulheres por terapia, afinal, era preciso ter alguém com quem falar sobre esses pequenos lutos que aconteceram quando elas deixaram de viver o que haviam idealizado para esse momento. Alguns destes lutos já naturais deste momento de transição de vida, outros provocados pelos desafios da maternidade em plena pandemia. Mesmo com o bebe nos braços, está tudo bem não se sentir plenamente feliz e realizada, a ambivalência é um processo natural da maternidade porém quando o sofrimento começa a tomar conta do dia a dia, a terapia pode-se fazer benéfica para compreender como estes sentimentos e transformações estão sendo significados e elaborados.

Eventos disruptivos como uma pandemia, falta de apoio, dificuldades conjugais e vulnerabilidade são fatores de risco para a Depressão pós-parto, procure ajuda, você não precisa enfrentar tudo isso sozinha.

Conhece alguém que está passando por esse momento? Encaminhe este post para ela.

Daniela Andretto