Mães de prematuros

Nem sempre as coisas saem

como o esperado, às vezes nem deu tempo do quartinho ficar pronto, chá de fraldas cancelado. O bebê, muitas vezes, chega no susto, e quanto mais cedo, maior a preocupação. Há alguns bebês que chegam desafiando a medicina, ficam bem, outros que precisam do empréstimo do ar, do corpo continente, mas absolutamente todos têm sede de vida.

Ser mãe de um bebê prematuro é uma grande e dificil ‘surpresa’. O bebê nasce e por vezes já vai para a incubadora sem que você sequer possa pegá-lo. Planos são quebrados, mudança de rota, agora o foco é na sua vida. Outro dolorido desafio: quando você tem alta e ele segue na UTI. São semanas, às vezes meses, em que sua rotina é de casa para o hospital, do hospital para casa. Investimento fisico e emocional. Ter rede de apoio neste momento é visceral. Alguém para cuidar de você enquanto você cuida de seu bebê. Revezamentos se fazem necessários

Um dos maiores desafios de ser mãe de um prematuro são os altos e baixos, coração oscilante tal como as noticias. Ser mãe de UTI é precisar lidar com um turbilhão de emoções, com a ordenha para extrair leite, e a ansiedade para ter o bebê nos braços.

Como psicóloga, trabalhei muito com essas mães de UTI e pude acolher seus medos, angústias e todo seu abalo emocional. Quantas vezes ajudei, em conjunto com profissionais incriveis, a colocar finalmente um bebê sobre o colo de sua mãe, seu lugar. Colocá-lo em “pele a pele”, traz inúmeros beneficios para ambos com o chamado Método Canguru. Como contratada pelo Ministério da Saúde ajudei vários hospitais nessa implantação deste método auxiliando profissionais e pais sobre o acolhimento e o vinculo com esses bebês.

Arraste para o lado e veja uma foto minha com a equipe do hospital da Vila Alpina e a mãe Edna, que teve seu bebê Marta prematura com 28 semanas. Essas fotos mostram a evolução desta linda dupla.

Estamos no mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade. O nosso indice de partos prematuros é alto (11,5%) e devemos tentar informar sobre os riscos, entre eles, de uma cesárea desnecessárias ou pré-natal incompleto e pensar em como mudar esse cenário. Quem aqui é mãe de prematuro?