Aspectos emocionais e alterações emocionais durante a gravidez

As alterações hormonais durante a gravidez podem refletir em mudanças de hábitos, de humor etc e, assim, podem gerar conflitos entre o casal. Quero abordar o lado da mulher, claro, mas também do homem (se isso acontecer).

a gestação traz mudanças hormonais importantes  principalmente na mulher, mas também no homem.. É uma fase de grandes alterações também emocionais, onde expectativas frente à maternidade e paternidade podem estar em seu auge, assim como sentimentos de insegurança, medo, excitação, e curiosidade também estarem presentes, e tudo isto junto e misturado podendo também se mostrar de forma tão ambivalente.

O medo do desconhecido também é muito comum, e questionamentos como: “será que eu vou dar conta, será que serei um bom pai, uma boa mãe, como será que eu vou estar me relacionando com meu companheiro(a)?”

A maneira como cada um lida com estas alterações emocionais, com as expectativas frente à nova função, sobre como se apoiam, é que vai ajudar a superarem conflitos frente à estes novos papéis e também sobre como abrem espaço para estes novos papéis. Cada um  dos genitores vive mudanças particulares frente à chegada de um bebê, conflitos podem surgir não cabendo “culpa” sobre um deles, mas sim, a maneira como cada um lida com eles é que poderá ajudar ou piorar uma situação de crise. Cada casal (independente de sua composição) devem conversar muito sobre esta nova etapa da vida, sobre quais são seus medos e inseguranças, expectativas e o que um espera do outro, e principalmente, ter em vista que toda esta preparação entre o casal serve como base para apoiarem-se e descobrirem juntos, na prática, o que é de fato exercer a maternidade e paternidade, pois ainda sim, aprenderão com o bebê a desempenhar sua maneira de serem mães e ser pais. Se o casal não abre espaço para este diálogo construtivo, sobre conhecerem-se em suas emoções,e um fortalecer o outro neste processo, e projeto de ambos, a relação já pode se encontrar fragilizada, gerando conflitos pela falta de comunicação.

 como tudo isso pode impactar nos sentimentos, como sobreviver a uma separação durante a gravidez, como levar a coisa da melhor forma possível, como lidar com essa situação, tem um jeito de minimizar os “estragos”? 

Uma separação por si só já é um estado novo, de um novo lugar, um novo papel social. Pode inclusive ser sentido como prazeiroso e não necessariamente algo ruim. Adaptar-se à este novo papel é que traz consigo desafios “de se ser quem se é, sem ser com quem se está”.

O Casal pode vir a se separar, porém, não necessariamente deixarão de exercer sua maternidade e paternidade. O fato de não estarem mais convivendo juntos é que faz com que tenham que estar mais atentos à qualidade da comunicação em benef´cio de uma relação saudável em prol de si e do filho em comum. Nem sempre uma separação é ruim, vai depender da qualidade da relação que também tinham antes da gestação, e o aparecimento da gravidez trouxe apenas uma desestabilização de uma relação já fragilizada. 

Por isso, a melhor maneira dos pais do bebê, que já não são mais um casal, lidarem com esta separação é exercer uma comunicação clara, e não violenta. Constante, não deixando coisas, sentimentos presos, expectativas desconhecidas, falarem um ao outro sobre seus objetivos, o que um pode contribuir com o outro para a criação do filho

-para a mulher: como é enfrentar essa barra sozinha, sem o apoio de um companheiro;

Mulheres precisam se sentir apoiadas no pós-parto. Ter um marido em casa não garante se sentir apoiada, e sim uma pessoa que está atenta às suas necessidades e que esteja disponível. Uma mulher que vive sozinha e está com um bebê pode precisar de ajuda, pois o impacto da responsabilidade sobre a vida do bebê é imenso, e por vezes pode ser sentido como assustador, ainda mais, estando sozinha. Por isso, importante a mulher formar uma rede de apoio, isto indepoendente de ser solteira; cercar –se de pessoas que considere positivas e que sejam uma referência de ajuda prática para quando ela sentir necessidade. É importante que a mulher não deixe para pedir ajuda só estando já esgotada, desesperançosa. Importante sempre que sentir necessidade, sinalizar esta necessidade.

 -para o homem: como é passar esse período longe da grávida, como isso impacta na própria formação de vínculo do pai com o filho, o que ele pode fazer para tentar criar esses laços ainda na barriga.

Dependendo de como o casal, que agora não é mais casal, consegue estabelecer uma comunicação positiva e construtiva, se desejarem, ambos podem se apoiar e, apesar de separados, “gestarem juntos seu bebê”, irem juntos nas consultas, o homem mostrar-se interessado pela saúde da mulher, não somente de seu filho na barriga de sua ex-mulher, compartilharem das expectativas tb como pai e mãe, dos gastos, adaptações frente ao novo estado social e projetos futuros que envolvam o bebê. Será provavelmente, um vínculo que se estenderá por muito tempo, pois entre eles e com eles, estará, seu filho.

Entrevista feita para Crescer Gestação 2015

Daniela Andretto