Acolhimento da mãe no puerpério

1. Quanto tempo dura o puerpério?

R:Aproximadamente por 1 ano.

2. Quais são as principais queixas das mulheres durante esse período, no que diz respeito aos próprios sentimentos?

R:Muitas mulheres queixam-se de não se sentirem mais no – controle- de suas vidas;

Que sente saudades da vida anterior ao bebê, que sim, ama seu bebê, mas sente vontade de ter a liberdade de que tinha antes, saudades da vida de casal sem tamanha responsabilidade como garantir a vida e conforto de um recém-nascido.

Muitas mulheres também sentem falta de conversar com amigas, conversas  sobre outras coisas que não seja bebê, fralda, cocô, peito, machucado no peito..etc…

Mulheres sentem-se exaustas, de não poderem comer qdo estão com fome, tomar banho quando querem, dormir qdo tem sono. A dedicação com o bebê é exclusiva e por vezes, extenuante, e sentem-se culpadas por alguns momentos, desejarem voltar o tempo e não ser mãe por algumas horas.

Solidão: Apesar de ajuda e apoio familiar, mulheres sentem-se solitárias, como que enclausuradas dentro da maternidade. Por mais que amem, por vezes enfrentam uma sensação de “prisão domiciliar”.

DICA PARA AS MÃES QUE SE SENTEM PRESAS DENTRO DA PROPRIA CASA: frequentem grupos de apoio ao parto, Grupos de pós-parto, Rodas de Mães, atividades com outras mães e bebêo como Baby-Yoga, “Dança Materna”, Canto entre Mães como “Acalanto”, vão ao cinema com o “Cinematerna”. Encontrado seu grupo de mães com quem se identifica, a sensação de solidão diminui e de fato vc pode contar com esta rede de apoio, inclusive virtual pela internet ou whatsapp.

3. E com relação a terceiros (companheiro, mãe, sogra etc.), quais as principais reclamações?

4. Que medidas a puérpera pode tomar para tornar o pós parto mais leve?

5. De que forma a rede de apoio pode ajudar nesse sentido?

R:A chegada de um bebê numa família que convive junto,  modifica todos os papéis já pré-existentes. É tempo de novos lugares e tempo de aceitar mudanças.

Algumas das maiores dificuldade em relação ao companheiro, que também está no processo de aprendizagem, é sentir-se acolhida principalmente quando as emoções naturais do puerpério vem à tona. A mulher no puerpério, naturalmente mais sensível emocionalmente e com mudanças hormonais violentas, sente-se mais fragilizada e com os sentimentos à flor da pele, e por vezes, sente-se exigida do companheiro que não esteja tão – emocionalmente sensível, porém, exatamente esta sensibilidade natural do período é que traz à ela mais competência e perspicácia para cuidar de seu filhote. Mulheres querem sentir-se mais acolhida pelos companheiros e ouvir destes que ele também está lá com ela para cuidar do bebê e dela, respeitando esta fase delicada deste novo encaixe e necessidades familiares e de um recém-nascido.

DICAS PARA OS NOVOS PAPAIS: acolha sua mulher e seu bebê, diga que está lá, que ela está linda e excepcional no cuidado ao filho de vcs. Segure o bebê qdo o choro não cessa, propicie momentos de descanso para sua mulher, um banho longo. Assuma os cuidados práticos de seu filho e lembre-se, apenas a amamentação ao seio é prática exclusiva da mulher. Não deixe a “noite” apenas para a responsabilidade dela; ela também trabalha o dia todo, porém sem horário de almoço, de café, e muitas vezes horas sem poder sentar…

Da mãe ou sogra, exatamente por ser um período de tanta mudança na família, a mulher puérpera espera uma ajuda e apoio prático, afetivo e se competição. Gerações passam por aprendizados diferentes sobre como cuidar de um recém-nascido, e o melhor cuidado que a rede de apoio pode oferecer é perguntar para esta nova mãe – COMO ELA GOSTARÍA DE SER AJUDADA- provavelmente a ajuda da casa, comida, limpeza etc… é bem-vinda para que a nova mãe possa ter tempo e liberdade  para cuidar de seu bebê, e receber este carinho da mãe ou da sogra, representado no cuidado à casa. Comparar formas de cuidado, como se o – antigo- fosse melhor que o-  novo- não é um bom caminho. Todas as escolhas de cada uma foram feitas baseadas na realidade de época e do que cada uma achava que era o melhor para seu filho.

 DICAS PARA AS NOVAS VOVÓS: Acolha novas formas de cuidados e orientações em relação ao bebê, e como uma forma de ampliar oportunidades, se houver sentido para o momento, conte como era na sua época, como vc se sentia e como sente que algumas dicas lhe ajudaram.

6. Como diferenciar as questões comuns ao período do puerpério de uma eventual depressão pós parto?

R:A chamada “tristeza materna” ou baby-blues, caracterizada por sensibilidade, choro nem sempre com motivo claro, oscilação de humor, certa angústia ao final do dia- são sintomas comuns e fazem parte desta adaptação à necessidades sempre urgentes do recém-nascido. À medida que a mulher e família vai reconhecendo os sinais e comunicação  de seu bebê, as coisas vão ficando mais tranquilas e menos alarmantes.

“ Eu reconheço o choro do meu bebê, mas já sou capaz de lidar com ele e entender de onde ele vem…ou já tenho algumas habilidades desenvolvidas para lidar com os desafios diários”

Porém, se os dias passam, passado por volta de um mês (período necessário para a adaptação) não há uma percepção de melhora, de evolução desta relação, se o choro da mulher (ou mesmodo  marido, considerando uma depressão pós-parto paterna), se o sentimento de tristeza e incapacidade de cuidar do bebê é cada vez maior, ou mesmo ter pensamentos ruins acompanhados ao bebê, vc precisa de ajuda.

DICA PARA A MULHER COM DÚVIDA DE ESTÁ COM DEPRESSÃO PÓS-PARTO MAS NÃO CONSEGUE SE ABRIR COM NNGUÉM: procure ajuda especializada, uma psicóloga poderá te ajudar e te acolher nesta fase tão forte e ceia de desafios. Ninguém escolhe estar deprimida, e tratar pode ajudá-la com esta dor e sensação de desconecção com o bebê e /ou com todos à sua volta.

7. Há alguma forma de se preparar para o puerpério durante a gestação?

R:Sim, a informação de qualidade e real. Uma família que se informa e se prepara tanto para o parto quanto para o puerpério encara com maior naturalidade as alegrias e desafios que esta fase traz à mulher e/ou casal. Ter um filho é poder mergulhar nas incertezas, é desbravar sentimentos desconhecidos e reconhecidos, é se reiventar como pessoa possível de afeto e cuidado, é amar se dando em cada noite de sono exaustiva, é se doar porque é necessário e porque vale a pena e passa rápido.

8. Quais são os presentes (não necessariamente materiais) que as puérperas mais gostam de receber? Por favor, conte também se lembrar de algo inusitado que tenha agradado.

  • Ganhar uma massagem é um dos presentes mais gostosos para se dar à uma mãe no puerpério.
  • Uma tarde de – vai dormir que eu olho a bebê para vc – amigas que vão visitar e deixam a mulher ir dormir tranquila e cuida do bebê enquanto ela dorme. Mulheres, mesmo qdo o bebê dorme, tem dificuldade para dormir quando estão muito alerta com o bebê. Ter alguém em quem confiam que olharaá a bebê faz toda a diferença para ela relaxar e dormir.
  • Uma consultoria de aleitamento materno também para mães com dificuldades em aleitar
  • Uma cesta de frutas e delicadezas
  • Um kit de alimentação para a semana ou mês para esta família que estará em pelna função com o bebê e com pouco tempo para cozinhar;
  • Rodízio de amigas para quando esta mulher não tiver alguém que a ajude no cuidado ao bebê.
  • Um “vale nght” para o casal sair e namorar, enquanto alguém de confiança fica com o bebê podendo oferecer leite ordenhado no copinho quando este por acaso acordar anyes da mãe voltar;

Qualquer ato amoroso que você ofereça à mulher e sua família no puerpério, será lembrado com muito amor.

Entrevista para Yahoo – 14/11/2018

Feita pela jornalista Mariana Nakata

Daniela Andretto